FIKE 2007 - Festival Internacional de Curtas Metragens de Évora

Júri

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Júri Oficial:

Beatriz Batarda

Beatriz Batarda nasceu em Londres, em 1974 e cresceu em Lisboa, onde começou o seu trabalho como actriz.
A sua primeira participação no cinema foi em "E Agora Maria?", de Maria Armanda Passos e Cláudia Fernandes, em 1978, seguida por pequenos papéis em "Tempos Difíceis", de João Botelho e "Vale Abraão", de Manoel de Oliveira.
Mas foi em "A Caixa", também de Manoel de Oliveira, em 1993, que Beatriz Batarda deu verdadeiramente início ao seu percurso artístico.
Em 1997, parte para Londres para estudar teatro na Guildhall School of Music and Drama. Bolseira do Ministério da Cultura, termina o curso em 2000, sendo galardoada com a medalha de ouro.
Desde então, tem trabalhado tanto em Inglaterra como em Portugal.
No cinema, com realizadores como José Álvaro de Morais, Vicente Jorge Silva, Ivo Ferreira, Jeanne Waltz, Pedro Caldas, João Canijo, Margarida Cardoso, Marco Martins, David Moore, Christopher Morahan, Andy Wilson, Nick Laughland e Mike Dowse.
No teatro estreou-se com a Cornucópia em "Conto de Inverno" de William Shakespeare, numa encenação de Luís Miguel Cintra.
Integrou vários elencos da Cornucópia e foi dirigida por encenadores como Diogo Dória, João Perry, Ana Tamen, Carlos Pimenta, Steven Unwin, Edouard Kemp e Joseph Blatchley.
No grande écran, destacam-se algumas das personagens que interpretou: João em "Peixe-Lua", Ana em "Quaresma", Evita em "Costa dos Murmúrios" e Carla Boca de Aço em "Noite Escura".
Recebeu vários prémios de melhor actriz, como o Globo de Ouro da SIC ou a Andorinha no Festival de Cinema Cineport.
Foi professora convidada na Escola Superior Artes e Design e na ACT/Escola de Actores. Reside actualmente em Lisboa.


 

Kamran Shirdel

(Teerão, 1939) estudou Arquitectura e Design na Universidade de Roma e Realização no Centro Sperimentale di Cinematografia (CSC) em Roma. Durante os seus estudos, teve oportunidade de ter Roberto Rossellini, Pier Paolo Pasolini, Nanni Loy, Francesco Rosi, Gillo Pontecorvo, Vittorio di Seta e muitos outros como seus professores ou formadores. O seu filme de licenciatura Gli Specchi ("Os Espelhos") venceu o Diploma de Honra no World Cinema School Film Festival in Tokyo. Neste período trabalhou também como assistente de realização John Huston que na altura rodava A Bíblia nos estúdios Cinecittà.

Depois da sua licenciatura, em 1965, Shirdel regressou a Teerão e começou a realizar documentários para o Ministério Iraniano da Cultura e das Artes. Nos três anos seguintes realizou os seus mais conhecidos documentários socio-políticos, seis filmes que, de forma corajosa e franca, revelam o lado mais negro do boom económico iraniano de então analisando os efeitos de uma sociedade inundada de petro-dólares. Estes filmes colocam-se no campo de uma profunda consciência social, reminiscência da melhor tradição neo-realista italiana; um cinema marcante na sua permanência em Itália. Os documentários furiosos de Shirdel e a sua linguagem cinematográfica foram motivo de discussão e perseguição pelo regime do Shah e o seu posterior exílio, porque falam dos menos privilegiados, dos excluídos denunciando e criticando, desta forma, a corrupção do mecanismo de poder.

Devido à severa Censura, quase todos os seus filmes foram banidos e confiscados e Shirdel expulso do Ministério e colocado na lista negra. Sete anos mais tarde realiza The Epic of the Gorgani Village Boy (The Night It Rained!), depois de vencer o Grande Prémio do 3º Festival Internacional de Teerão (1974), foi censurado e Shirdel de novo banido. Tal como sucedera já com os seus outros filmes Nedamatgah (Prisão de Mulheres, 1965), Qaleh (Quarteirão de Mulheres, 1966), Teerão é a Capital do Irão (1966) entre outros.

A sua única (e até hoje completa) longa-metragem A Manhã do Quarto dia The Morning of the Fourth Day (1972), um remake do filme "A bout de souffle", de Jean- Luc Godard, ganhou diversos prémios no Sepas National Film Festival. Três anos mais tarde a segunda: The Camera, baseado no "General Inspector" de Nikolai Gogol foi censurado, ainda durante a rodagem e assim permanece. Shirdel, foi proibido de prosseguir o seu trabalho de observação e análise da sociedade. Vê-se forçado a colocar a sua criatividade e talento técnico na realização um volume enorme de encomendas e filmes institucionais. Uma produção fértil de filmes técnicos e educacionais de altíssima qualidade.

Kamran Shirdel é considerado uma figura central e um dos pais da Escola do Novo Cinema Iraniano. Ele abriu caminhos para um certo tipo de cinema crítico e com preocupações sociais que o Irão recusa por apresentar uma reflexão assertiva e politicamente documentada da realidade.

Muitos cineastas Iranianos da nova geração como Abbas Kiarostami, Amir Naderi, Jafar Panahi, Rakhshan Banietemad, Mohammad Reza Aslani, Khosrow Masooumi, Mahvash Sheikholeslami, Soudabeh Babagap, foram seus alunos ou trabalharam com Shirdel enquanto estudantes. Os filmes de Shirdel são justamente apontados como verdadeiras referências para o documentário social e a realização cinematográfica no Irão. Os seus filmes foram apresentados em inúmeros festivais internacionais de cinema e muitas retrospectivas foram feitas (Moscovo, Cracóvia, Leipzig, Florença, Paris, Berlim, Stuttgart, Montreal, Toronto, Beirute, Sicília, Roma, Londres, UCLA, Chicago, Locarno, etc.).

Kamram Shirdel também trabalhou em inúmeros comités de selecção e como Júri em inúmeros festivais internacionais de cinema, no Irão e no estrangeiro. Foi premiado em muitos desses Festivais e recebeu um Prémio de Carreira no festival libanês DOCUDAYS em 2003.

Shirdel é fundador e director da produtora FILMGRAFIC CO. E do KISH International Documentary Film Festival (KIDFF), o único Festival independente de Documentário no Irão. A actividade do Festival foi abruptamente interrompida com a chegada dos actuais governantes no Irão, que tomaram de assalto os escritórios do Festival.


 

Jorge Campos

58 anos, é jornalista, cineasta, programador cultural e professor do Ensino Superior.
Desempenha actualmente funções de assessor de Coordenação do Curso de Comunicação Audiovisual do Instituto Politécnico do Porto, onde lecciona as disciplinas de Cinema e é responsável pela área científica de Estudos Visuais.
Foi o Programador responsável pelo Departamento de Cinema, Audiovisual e Multimédia do Porto 2001- Capital Europeia da Cultura.
Trabalhou na Imprensa, Rádio e Televisão, tendo sido jornalista da RTP durante 25 anos, durante os quais muitos dos seus trabalhos foram premiados ou distinguidos.
especialista na área do Documentário integra diversos grupos de trabalho de âmbito nacional e internacional, cujo objectivo é fomentar o seu ensino e prática no Ensino Superior numa perspectiva profissionalizante.


 

João Cerqueira

Com vários anos dedicado à formação e educação, João Cerqueira desenvolve uma actividade paralela como realizador, director de fotografia e operador de câmara.
É um criador audiovisual de grande versatilidade, podendo o seu trabalho ser visto em curtas metragens, documentários, spots televisivos, reportagens.
Os seus filmes (e outros em que participou como director de fotografia) estiveram presentes em diversos festivais internacionais, tendo ganho alguns prémios técnicos de Melhor Filme em Competição.


 

Leonardo Autera

O fotógrafo Leonardo Autera nasceu em Pomarico, em 1961, e frequentou o liceu de Matera. Desde cedo se interessa pela imagem e pela fotografia. Aos 15 anos decide sair de casa e começar a trabalhar. Apenas com 16 anos, Autera parte, clandestinamente, para França, onde permanece um ano. Contudo adoece com bronquite sendo obrigado a regressar a Pomarico. Tenta uma reaproximação ao pai mas rapidamente surgem os desentendimentos. Organiza uma primeira exposição dos seus trabalhos na cidade natal, volta a fazer as malas e parte para a Alemanha.

Em 1981, encontra-se em Dusseldorf, participa numa exposição de fotografia realizada simultaneamente em Matera, Roma, Florença, Milão e Veneza tendo a sua obra recebido o elogio e reconhecimento nas diferentes cidades. No ano seguinte, repete a experiência em várias cidades de França, incluindo Paris. Também aqui a recepção da sua obra é muito positiva. Em 1983, expôs nas mais importantes cidades alemãs como Berlim Ocidental, Bremen, Hamburgo, Colónia, Frankfurt, Dusseldorf. Tem então oportunidade de conhecer o grande fotógrafo Helmut Newton, com quem começa a trabalhar no seu estúdio em Dusseldorf. Newton ter-lhe-á transmitido a paixão pelas modelos, muitas das quais se tornaram famosas graças à sabedoria da sua objectiva.

Em 1984 e 1985, expõe na Suíça e na Áustria. As suas fotografias transmitem o forte contraste entre a vida tranquila da sua pequena Pomarico e a agitação das grandes cidades europeias. Graças ao permanente interesse do Consulado Italiano, realiza exposições fotográficas (desde 1986 até 2001) na Rússia, China, Japão, EUA, Espanha, Canadá, Bélgica, Coreia do Sul, Inglaterra, Noruega, Suécia, Finlândia e, novamente, na Alemanha.

Actualmente, Autera regressou às suas origens e vive na província de Lucania, continuando a promover os temas da sua fotografia. Leonardo Autera tem uma longa carreira dedicada ao Fotojornalismo e à fotografia artística. Desenvolveu a sua actividade em mais de 160 países e expôs os seus trabalhos noutros 50.


 

Júri da Federação Internacional de Cineclubes:

DON QUIJOTE é o Prémio da Federação Internacional de Cineclubes.
Fundada em 1947 durante o Festival de Cannes, a FICC/IFSS é a organização internacional que reúne os Cineclubes e os Cinemas não-comerciais de todo o mundo. Um dos objectivos deste Prémio é descobrir filmes com particular interesse e promovê-los internacionalmente. Tendo em vista este objectivo FICC/IFSS criou a rede de DISCOVERIES. Complementando a distribuição existente, esta rede possibilita a divulgação e exibição de filmes que habitualmente não tem espaço no cinema comercial. Todos os filmes premiados pelos Júris da FICC são incluídos na base de dados DISCOVERIES iniciada na Primavera de 1998 como um projecto piloto. Adicionalmente, uma selecção dos filmes premiados é apresentada anualmente no Festival Internacional de Cineclubes, na Região da Calabria em Itália. O actual Presidente da FICC/IFSS é o realizador italiano Gianni Amelio.

 

Sofia Miranda

Sofia Miranda, nasceu no Porto em 1983.
Encontra-se no 2º ano de Mestrado do Curso de Som e Imagem da Universidade Católica Portuguesa, na especialização de Animação por Computador.
Conta no seu Curriculum com trabalhos na área da Publicidade, Design Gráfico, Fotografia e Cinema de Animação.
Em Maio do presente ano estreou a sua primeira exposição no Instituto Português de Fotografia, e nos últimos meses esteve encarregue da linha gráfica e Spot Publicitário do FIKE 2007.


 

Christl Grunwald-Merz

Nascida em 1939, Christl trabalhou perto de 30 anos na Agência de Comunicação FWU Gruenwald (FWU Institut für Film und Bild), mantendo-se intimamente ligada ao documentário e ficção após a aposentação, nomeadamente através da Bundesverband Jugend und Film.


 

António Claudino de Jesus

Professor na Universidade Federal do Espírito Santo, Claudino é Cineclubista e produtor de cinema Presidente do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros – CNC e Vice Presidente da Federação Internacional de Cineclubes – FICC é ainda Membro do Conselho Consultivo da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura do Brasil.